domingo, 16 de dezembro de 2012

Temperatura Não Tão Amena

E a confusão tomou conta. Não era como se nunca tivera vivido aquilo, pois tinha. Contudo, as experiências anteriores não eram tão bem vindas. Embora guardasse as coisas boas, as ruins ainda existiam e tinham um peso absurdo.


De repente sentiu que sua guarda, ou melhor seus muros estavam baixos, ou melhor derrubados e era exatamente esse o ponto da confusão. Inteligente, comunicativa, independente e linda, incrivelmente linda. Seu sorriso misturava-se a uma covinha ao lado direito que dá-lhe um charme absoluto. O tipo de chamar que deixaria qualquer homem encantado. E o faria se perder.

Encostou sua cabeça no travesseiro com o quarto escuro e começou a pensar, era inacreditável, havia pouco tempo que acontecera mas ele lembrava tudo incluse as sensação de inesperavelmente ela também sentir-se atraída, ele não entendia como, contudo, convidara para sair.

A temperatura do dia era amena com alguns sopros frios, mas, agradáveis. A quinta-feira era ideal. Ao busca-la ele colocou um musica qualquer não podia evitar ainda havia uma timidez, era pouca, mas ainda havia. Ele saiu do carro para recebe-la e pediu que entrasse. Ela aceitou o convite e partiram.
O barzinho tinha poucas pessoas, escolheram um lugar na área externa sentaram a conversa fluiu naturalmente, a presença dela era confortante. A cerveja veio macia e agradável, para os dois, e a conversa fluiu o tempo passou e ele estava impressionado e encantado, no entanto, ela era uma incognita. Em determinado momento da noite ela levantou-se e ele impulsivamente também, ela aproximou se um pouco e nesse instante ele calou qualquer sussuro que poderia vir a seguir. A temperatura voltaria a ser tão amena.

Ele voltou a si na cama e pensou sobre o beijo e sobre tudo que vivera até ali.. e conseguiu entender que não importaria o que ele havia passado. Para um ciclo começar, obrigatóriamente, um será fechado. Os medos podem de certa forma nos assustar, mas, como recitou certa vez Norman Vincent Peale que há três tipos de pessoas: “Os Covardes nunca tentam, os fracassados nunca terminam, os vencedores nunca desistem”

domingo, 21 de outubro de 2012

Quarta-Feira.


Ele chegara em casa finalmente, não tinha ficado muito tempo no PUB, apenas algumas horas, mas fora suficiente. Suficiente para poder pegar o telefone a única mulher que havia o impressionado em algum tempo.

Convidar-se para juntar-se a ela em sua dança, fora particularmente desafiador. Era fácil chegar, conversar, fletar com qualquer outra, pois as outras não eram importante. Mas, ali, era ela, alguém que de fato havia o interessado.

A noite fora tranquila, ele estava feliz, tinha o número dela no final das contas. Sentou em sua poltrona por um instante e sentiu que definitivamente dormiria rápido. Fechou os olhos como se os descansasse­. Dormiu.

O celular na mesa da sala tocou e ele acordou, caminhou até ele e atendeu. Seu amigo o cobrara, ele estava atrasado. Desligou o telefone e correu para juntar as coisas enquanto se troca afinal era dia de jogo.

Após o jogo continuou com suas atividades corriqueiras de domingo, lavou o carro, foi ao parque da cidade dar uma volta. Enquanto caminhava desejou alguma companhia e percebeu o pensamento nela. Na menina do PUB, não, melhor dizendo, Roberta, seu cabelo castanho escuro e olhos penetrantes também esturo combinavam perfeitamente com seu sorriso e buchechas levemente rosada, não, não parecia uma boneca, era como uma mulher devia ser, bonecas não o interessava.

Pegou seu celular e mandou uma mensagem. O tempo passou , ele olhou umas duas vezes para seu celular e não havia resposta. Pegou seu computador, tinha alguns projetos para terminar.

Algumas horas passaram até que ele decidisse fechar o computador, amanha era segunda e essa segunda ele não trabalharia. Desciu que era hora de achar uma Fast Food 24 horas qualquer e comer algo. Afinal a sua ultima refeição havia acontecido as 17 horas e já eram quase 23. Pegou seu celular, ao mesmo tempo em que este apitou. Ele acessou a mensagem e leu:

“Oie! Tudo bom?”

No mesmo instante respondeu a mensagem perguntando se seria inconveniente ligar esta hora.

A resposta foi:  “Não”

Ele discou o número e ela rapidamente atendeu. A conversa fluiu agradavelmente. Perguntas simples e suave sem nenhuma pressão. Após 10 minutos de conversa se despidiram.

Ela com um sorriso diferente nos lábios. Ele com um brilho diferenciado nos olhos. E o encontro estava marcado. Quarta-Feira.

domingo, 23 de setembro de 2012

Tão Igual


E a chuva bateu na janela do quarto dela. Ela estava deita em sua cama. A noite fora boa e sair com suas amigas rendeu-lhe boas risadas. Pensando na noite, ela pensava na conversa diferente que tivera com alguém que simplesmente convidou-se para dançar e conversar sem mostrar nenhuma muita pretensão, apenas, um sincero interesse. Ela dormiu.

Era domingo cedo, ela seguiu sua rotina domingueira. Foi até o parque da cidade, fez sua corrida matinal e voltou para casa. Ao chegar pegou seu livro, leu algumas páginas e fechou, afinal, o almoço estava pronto.

Almoçou e na parte da tarde decidiu prosseguir com alguns afazeres da faculdade. Ela sentou e concentrou-se, a tarde ja estava acabando e ela já havia estudado por horas. Então sua mente divagou, pensava em muitas coisas. Foi quando ela pensou no rapaz que se convidou para dançar com ela. Talvez ele fosse igual a todos.

O resto da noite continuou calma e e ela continou seus estudos a tempo de ser chamada para a janta. Jantou e sentou para assistir um filme, no momento em que notou que estava sem celular, contudo, continuou ali sentada assistindo o filme.

Ela estava compenetrada no filme, ela gostava de filmes românticos, não podia ser melancólico, mas devia ser romântico, se pudesse rir durante melhor ainda. O filme continuou e ela riu três ou quatro vezes no filme até o seu fim.

Ela levantou, desligou a tv e foi para seu quarto. Era noite de domingo,  no outro dia iria trabalhar, estava na hora de dormir. Trocou de roupa e caminhou até a cama. Pegou seu celular na bancada em que estudara antes para ativar o despertador. Ao pergar o celular, ela observou a tela, havia uma mensagem, o número não tinha nenhum nome registrado.

Ela abriu a mensagem e viu a mensagem:
“Olá!”

Ela sabia quem era, por mais que não tivesse o número dele, tão pouco a assinatura, ela sabia.  Enfim, talvez ele não fosse tão igual, mas era cedo para dizer.

domingo, 16 de setembro de 2012

O Vento


Era hora de sair. Pegou as chaves do carro, trancou a casa. Vestia um jeans preto, com uma camisa social também preta de mangas arregaçadas na altura do bíceps. Abaixou o vidro colocando o cotovelo para fora. Ligou o rádio e uma música qualquer tocava. Não prestava muito atenção até que três acordes fez com que sua atenção fosse magnetizada. Era uma música boa, completa, contudo, era engraçado como “O Vento” se misturava em partes com sua vida.

Nesse momento, notou que sentia-se bem com a brisa que batia em seu rosto, escutando aquela musica. Estacionou o carro e entrou no PUB. Sentiu-se confortável com a música boa que tocava, sentou no bar e pediu uma cerveja. O primeiro gole desceu suave, com o primor que poucas bebidas podiam  lhe causar. Olhou para pista de dança e ela chamou sua atenção. Não acreditou no que via. Ela, incrivelmente ela dançava, sozinha, mas era inacreditável como ela prendia sua atenção.

Foi até ela cordialmente, apresentou-se e pediu para a acompanhar em sua dança. Ela aceitou e dançaram, a conversa fluia tranquila e agradável, então ofereceu uma bebida e para sentar. Ela aceitou a bebida, contudo, disse que não poderia sentar pois estava acompanhada de suas amigas.

Ele sorriu e conversaram próximo ao balcão. Até que ela disse que infelizmente tinha que voltar. Acenou com a cabeça e disse que tudo bem, e então pediu seu telefone. Ela não hesitou e disse para ele. Ele a notou e agradeceu, no momento em que ela o beijou no rosto e saiu. Hipnotizado ele a olhou saindo e virou-se.

Pegou seu celular e viu o número que havia anotado. Sorriu de canto, satisfeito, e foi para o caixa, pagou a conta e no caminhou da saída a avistou, ela o olhava também, nesse momento teve certeza de que o número era de fato válido. Mandou um “tchau” discreto e sem perceber piscou. Ela sorriu e retribuiu.

No caminho para casa pensava nela. Ela tinha muitas qualidades aparentemente, mas, no final das contas o sorriso dela o encantou. Não, ela era deslumbrante, não que fosse a mulher mais bonita, ou o corpo mais desenvolvido e distribuído, porém, havia o conjunto. Era estonteante. Havia um sorriso, uma sinceridade, e um humor que o agradava, bem como, era o seu “número” ideal. Por outro lado, havia uma certa distância, sem contar a idade, mas para ele não um problema, até porque ele não fazia o tipo idiota, muito pelo contrário, ele fazia o tipo “velho chato” apesar da idade. E ela percebera isso, afinal, era ele que estava indo para casa com o telefone dela.

domingo, 9 de setembro de 2012

Noite Mais Escura


As Luzes da cidade novamente apagaram-se. Já era tarde e por outra vez dormir era quase impossível. Levantou-se da cama, a noite era quente, pegou uma garrafa de água no frigobar e ligou seu computador. Usando mais uma vez sua valvúla de escape.

Abriu seu inbox e digitou alguns e-mails salvando-os em draft para mandar na manhã seguinte. Viu um e-mail em sua caixa como unread. Leu o remetente mas não sabia se estava preparado para responder. Não podia mais deixar para amanhã, sempre o fazia quando o assunto não lhe agradava. Tentava entrar numa nova fase de sua vida mais nem ao certo havia posto um ponto final na antiga.

Percebeu que seu corpo não demonstrou reação nem comoção ao ler a nota de reconciliação que recebera, era estranho, bom, porém estranho. No mesmo momento em que percebera que não havia emoção enquanto negava aquele e-mail. Mentira. Havia uma emoção: “confusão”.

Por que então não conseguia dormir? Por que as noites viraram um tormento? Fechou seus olhos e descobriu o verdadeiro motivo. Queria receber um e-mail daquele, mas não dela, não dessa mulher que agredira-o da pior maneira por diversas vezes.

O relógio apontou 3 am e ele notou que em poucas horas teria que levantar. Desligou o computador  e desistiu da água. Caminhou até o frigobar pegou uma long neck, Stella, e caminhou até a varanda. A vista da cidade era incrível, morar em um ponto da cidade fora a melhor escolha que fizera nos últimos tempos. Sentou-se na cadeira e seu olhar se perdeu. Contudo, dentro de sua cabeça tudo fazia muito sentido.

Ele estava em uma fase, uma fase em que estar em um lugar novo, conhecendo pessoas nova, não condizia exatamente ao que ele esperava, mas trazia consigo coisas boas certo de que nada ainda fora expetacular. Talvez fosse querer demais, as coisas vinham com um tempo, porém, algumas coisas já lhe encomodavam.

A noite ficara mais escura, então ele percebeu, algumas coisas só acontcem depois do pior momento do que o antecede. A noite é sempre mais escura antes do amanhacer.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Boas Notas


O tempo havia passado, tão rápido que não podia nem sequer dizer como. Nunca a notara como mulher, ela era alguém, alguém de minha infância. De fato, um ano atrás não podia imaginar isso, estava absorto em seus sentimentos passados, antigos e platônicos. Por outro lado como poderia imaginar? Como? As coisas aconteceram de forma estranha. Um PUB, que se eu parar para pensar muitas fases da minha vida tiveram inicio em um PUB. Porém essa era estranhamente confortante, e acompanhava horas de conversas sobre a infância.

Era engraçado lembrar os apelidos, rever as imagens que eu nem sabia que tinha arquivadas em algum diretório da cabeça. As coisas haviam mudado um pouco desde a última vez que eu estivera com ela. Para ser sincero, eu nem me lembrava quando isso ocorrera ou se ao menos havíamos conversado.

O importante era estavamos conversando agora. E de alguma forma, que sinceramente não saberia dizer qual, eu estava deixando as coisas acontecerem. O sorriso dela tinha uma beleza peculiar, acho que me fazia lembrar bons momento que vivera na infância, todavia, me mostrava que havéamos crescido e éramos adultos. Nossas responsabilidades já não eram mais boas notas ou talvez ainda fossem boas notas, boas notas na vida, notas que eram importantes apenas para nós, ego, caráter, objetivos pessoais.

A verdade era que a fase a adulta chegara  de maneira forte que não lembrava de muitas coisas do passado, e agora alguém do presente me mostrava coisas boas do passado um passado que eu não lembrava mais quão bom havia sido. A chuva apertava conforme conversamos, a literatura brasileira, dizer-me-ia que chuva representava mudança, assim como ditara, certa vez, Clarice.

Era engraçado como todas as vezes que nos encontrávamos chovia.  Será que tudo estava em mudança constante, ou será que cada vez que eu a via eu mudava? Não podia responder ao certo e com 100% de certeza que de fato mudava, mas, me fazia crer em coisas que nunca fui descrente só esqueci de crer com veemência por terem me mostrado o lado errado.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Perfeição

Eu estava ali, solteiro, uma cerveja, sentado em uma confortável cadeira. A roupa que me acompanhava, era a mesma dos dias hábituias de trabalho.

Calça social preta, camisa cinza grafite com as mangas arregaçadas na altura do bíceps. Os sapatos marrom escuros combinando com o cinto. Era típico. Exausto. Desejei aquela cerveja. Soava um tanto quanto alcoolatra sozinho, solteiro, no bar. Mas eu precisava.  Avistei duas mulheres conversando, uma delas era completamente interessante. Todos os pré-requisitos estéticos, machista, e egocêntrico ela preenchia.

Mas eu não conseguiria falar com ela, cansado, e sem muitas expectativas me contentei em ficar sentado. Ainda que fosse encantadora.

Era uma tola mentira, eu senti medo, não quis ir, criei desculpas. Eu já não era o mesmo. Nunca fora o bom de labia, mais nunca fui timido. Alguma coisa no meio do caminho aconteceu e eu não me sentia mais seguro para fazer isso.

Eu me dei conta disso, chamei o garçom pedi mais um Heineken e olhei para a tela do PUB, me acalmara um pouco esportes me faziam relaxar.

No final das contas o ideial não era conseguir ir falar com a Sra Perfeição era somente não se sentir perdido.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Letrado Demais.

Era engraçado. Nunca gostara de definições, de explicar as coisas. Mentira. Tola e vaga mentira. Adorava definir, recitar sobre o que era qualquer sentimento. O que os outros sentiam, ele sabia explicar. Como evitar, como agir, parecia ser o dono do conhecimento sentimentalista. Mentira. De fato ele era bom, em ajudar os outros, mas muito distraído. Parou sentado em sua sacada, uma cadeira de madeira pouco inclinada o confortava. Sua mão segurava uma garrafa long neck e dava curtos goles, ainda estava engravatado com seu terno e sua camisa cinza grafite. Olhou para a cidade, aquelas sensações eram boas. Sentia-se no topo do mundo. Levantou e  apoiou os cotovelos no beiral de vidro. Ela estava na sua cabeça de uma forma mais intensa do que devia.

Ele abaixo a cabeça era irônico podia ver toda a cidade como se pudesse controla-la mas a única coisa que não tinha era a que precisava. Pensando em tudo aquilo ele fechou os olhos, terminou sua cerveja, pegou seu celular, e discou. Um toque, dois toques, três toques. Caiu na caixa postal ele ouviu a mensagem até o final e deixou uma simples e básica mensagem: "senti saudade", e desligou.

A queria por perto só não sabia dizer como. E para isso o tão cheio de conhecimento sentimentalista, era o tipo de pessoa letrada demais. Afinal, é muito mais fácil quando a ignorância intelectual sobrepõe-se ao racionalismo obvio.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Noite Canadense

A noite caia e já era tarde e o frio canadense ia tomando notável, ainda que em pleno verão. Era engraçado, ele estava andando sentindo o vento bater no rosto, virou a esquerda e continuou descendo a rua. Olhou para frente  e avistou três meninas subindo, elas andavam e riam. O som de suas vozes, o sotaque, soava tão familiar. Eram de seu país natal e notávelmente estavam alegres.
Ele falou qualquer besteira tentando chamar atenção delas. Conseguiu. Elas viram assim que passaram por ele e perguntaram se ele era Brasileiro. Ele confirmou  que era, e ela pediu que as acompanhasse até seus respectivos pontos. Ele aceitou pois já era tarde e poderia ser perigoso, assim as levou.
Caminharam até onde duas pegaram o ônibus. A ultima das meninas, era uma menina loira, bonita e muito simpática. Ele a acompanhou até  o locar devido e foram conversando, parecia que a conhecia a certo tempo, perguntou a ela como falaria com ela novamente, ela passou seu contato e ele teve que gravar em sua cabeça. O ônibus chegou e se despediram e ele foi repassando o cantato em sua cabeça. Chegou em casa o anotou e jogou-se na cama olhando para  lua pensou em que situação estranha viverá, mas um sorriso apareceu em seus lábios enquanto se lembrava daquilo que acontecera. De uma forma ou de outro ele queria ver aqueles olhos sinceros novamente. Bendita seja a noite canadense.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Garantia não cobre

Em meio ao caos sublime das execuções diárias, olhei nas prateleiras como um consumidor que não sabia o que queria comprar. Me venderam então um sorriso. A necessidade então me foi criada, por um marketing elaborado pelos olhos.

A priori não era essencial, mas é quando você menos espera, que o apego , vontade e a real necessidade são criados, você quer sempre aquele produto. Quer cuidar para que não arranhe, quebre ou se danifique. Enfim, você cuida.

Perdi muito tempo pensando que as coisas eram justas, pensei que há produtos que são perfeitos, um para cada pessoa, e não há, não há um produto perfeito para você. De fato um absurdo. Desculpe mas, é verdade. Você é perfeito para você mesmo, e isso é um fato. Existem produtos que são de alguma forma parecidos conosco, e produtos que tem a capacidade de nos passar segurança, porém, se tiver qualquer problema, a garantia não cobre.

No Manual do consumidor, não existe nada que ensine a resistir, e também não diz que pode ser considerado uma droga. Faz com que você aja de maneira que você não iria agir normalmente, é alucinógeno. Ai então, como se fosse óbvio e senso comum, me vejo querendo comprar, e tentando achar no gerundismo gramatical, da mesma forma que achei na prateleira da vida, mas agora procuro no meu próprio quadrado. Afinal quando a garantia não cobre ou você leva na assistência técnica ou conserta por conta própria, ah sim, você pode jogar fora e se adaptar. É tudo uma forma do quanto você está disposto a se esforçar por causa de um produto.

Não quero comprar outro produto. Porque dentro das imperfeições, e das coisas que não são feitas para nós. Os defeitos não me incomodam. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Ponte

Sentado em posição de meditação ele estava, focava seu pensamento em coisas positivas, pensamentos positivos, coisas boas, pensava em seu objetivo. Já fazia certo tempo que estava sentado, ele conseguira acalmar-se. Era bom começar o autocontrole, o domínio da mente. Levantou colocou uma calça leve, jogou uma blusa por cima do corpo. Ao pegar a chave do carro percebeu que esquecera o livro em seu quarto. Correu para pegá-lo, apanhou o livro de capa vermelha e foi para o carro.

Ligou a chave no contato, ouviu o motor girar e funcionar, ligou o som, a música que tocava o lembrava tanta coisa, era como se um filme passasse em sua cabeça, aquilo o fez sorrir. Irônico, mas o fez sorrir. Saiu com o carro, andava lentamente, olhava a lua no céu, ele não tinha um destino certo só queria ir. Chegou a uma grande praça no meio da cidade. Engraçado, sempre quis ir ali, mas sozinho não era onde ele imaginaria parar.

Estacionou facilmente o carro, pegou seu livro e foi para praça. Deixou seus passos irem, chegou a uma ponte e parou. Olhou para baixo; um pequeno rio corria ele sorriu para água que passava tranquilamente. Seu reflexo era estranhamente nítido, podia ver sua alma. Virou seu corpo encostou suas costas madeira em que havia deixado seus braços cruzarem.

Sua cabeça ficara novamente agitada pensando em tantas coisas. Era hora de filtrar seus pensamentos de novo, ele sabia que mudanças são inevitáveis, que as vezes a vida beteria no nariz, que ele sangraria, que pensaria em desistir e olharia para o futuro sem muita esperança, mas é ai que deveria crescer. Estufar o peito. É nessa hora, quando você esta mais fraco, quando você esta triste, que a verdadeira luta começa. Não é fácil, não foi e não vai ser fácil nem para mim nem para ninguém. Mas valerá a pena... ninguém vive o que não consegue suportar, ninguém, e a melhor forma de superar algo é querer. É viver isso. Se você perder alguém não importe quem.. ou o que seja... leve o que teve de bom, você nunca fez demais, e nunca fez de menos, só fez o que podia fazer... se não fez algo... é porque de fato, não queria ou não precisava. Então não se arrependa.

Ele sorriu novamente, estava decidido em com objetivos traçados, ele ia abraçar qualquer coisa que viesse, dor, alegria, incerteza. Ele traçara seu objetivo, fez tudo que o lhe ensinará. E estava disposto a correr todos os riscos.

Já não havia erros, os reveses sempre serão oportunidades para a expansão pessoal e para o crescimento espiritual.

Ele lembrou um sorriso. Colocou o capuz da blusa, era hora de comer algo quente e tomar um bom vinho, e não havia melhor lugar do que na frente de sua lareira com uma vista para o céu azul escuro com pontos brilhantes.

domingo, 5 de junho de 2011

A Maneira mais Fácil

Aquelas palavras não saiam da minha cabeça e um medo gelava o estomago. Já era tarde e a cabeça não parava, o mundo parecia confuso e eu estava ali sem palavras, olhando para o teto e repassando a cena na minha cabeça.

“O caminho para casa fora lento... demorara mais do que de costume na realidade, quase o dobro do tempo...Ele ligou o radio mas não escutava o que estava tocando. Na realidade o que guiava o ironicamente era a linha mal tracejada do asfalto.”

Ele se sentia de certa forma patético. De fato ele era. Sentia que era fadado ao fracasso com esse seu jeito de ser “correto”. Mas afinal, quantas vezes ele agira dessa forma, sentia o gosto da decepção, e continuara assim? Em seu amago ele sabia que não deixaria de ser assim.

Em um momento x em que o beijo acontecera, após longa conversa, ele deu conta do quanto se preocupava, em todos os méritos, amigo, homem, companheiro.

Todas as minhas perguntas sem respostas continuavam. Eu estava notoriamente abatido, porém, como bom capricorniano que era, sorri e soube o que faria. No final das contas eu sempre arrumava mais um motivo para trabalhar.

E era assim mais uma vez. Era maneira mais fácil resolver qualquer problema ou envolvimento pessoal quando decidia trabalhar, estudar. Eu era bom nisso e eu precisava de algo para se orgulhar. Ainda que com certos pensamentos dentro de mim.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

É segunda e você tem que ir trabalhar

(Meus caros, sinceramente me desculpem pelo tempo que demorei para postar, esse mês esta acabando e é mês de fechamento. Mas segue algo para vocês. Obrigado)


Não consegui distinguir gosto, era totalmente diferente do que havia provado algum dia. Fechei os olhos e deixei som das águas do rio nos embalar. Era confortante a maneira como encaixava, Ele sabia que era bom e diferente, não sabia dizer o que realmente mudava, mas me encantava.

Peguei sua mão e continuamos andando, num ritmo lento, um ritmo que ela pudesse andar sem se sentir incomoda. O Silêncio, quando havia, não era constrangedor, era só silêncio. Não podia negar, aquilo o confortava a alma, aquilo acalentava qualquer sensação. E não havia definição.

Enfim chegamos ao nosso destino, uma música, que sinceramente não lembro a letra tocava. Ela dança ao andar, a envolvi pela cintura, e dancei ao ritmo que ela dança. Em determinado ponto, não conseguia mais manter aquilo, a virei para mim, e dançamos, mais uma vez como se fosse novidade.

O dia se passava lentamente, e eu agradecia por aquilo, era ótimo. Rimos, conversamos, a tempo de eu perceber o quanto era bom. O dia passou sem delongas, uma conversa ao longo da noite tornou-a mais agradável, afinal, era tão bom dividir experiências.

O Fim do dia chegará era hora de dormir, era estranho dizer, mais o beijo de boa noite, e o : “Vai dormir que tá tarde”, foi tão bem vindo quanto o beijo de bom dia: “é Segunda, e você vai trabalhar”.

domingo, 1 de maio de 2011

Vinho e Salmão

Eram 20:30 ele tirou o relógio, colocou o avental. Estava ansioso. Era estranho se sentir assim. Ele queria que tudo saísse muito bem, mas e esse frio no estomago? Era a sensação de ser posto a prova ou era medo de não ficar bom? Ele riu dele mesmo. Definitivamente ele era um tolo.

Ele havia decidido desde o momento que à convidara para aquele jantar: Salmão ao molho de alcaparras. Retirou a pele do salmão que comprara, sob a boa tabua de madeira, molhando constantemente a faca bem amolada para um melhor corte. Temperou com soco de limão especial que fizera e colocou na geladeira. Em uma hora o salmão estará bom para ser grelhado e ele poderia tirar o suco.

Pegou a alface, palmito, tomate cereja, azeitonas pretas. Ficaria bom! Mas o frio na barriga o incomodava. Guardou a salada, já preparada, em uma travessa de alumínio. Decidiu que era hora de um bom banho. Ligou o som, que sensação maravilhosa sentir a água cair na cabeça correr pelo seu corpo, ao som de uma música qualquer.

Ainda no chuveiro, fez a barba e brincou,como era comum, com o shampoo em seu cabelo. Secou-se e enrolou-se na toalha, adorava andar assim pela casa. Era hora do vinho. O vinho seria essencial, o senso comum, talvez a etiqueta lógica pedida um vinho branco, mas, ele nunca gostara do senso comum. Vinho tinto suave, bem suave. Sabia por opiniões de Gastrônomos que combinaria.
Ligou sua TV colocou em um seriado qualquer, bem como, decidiu que era um momento bem propício para se trocar. O dia era quente, colocou uma bermuda preta e uma camiseta branca lisa.

O telefone tocou, ela avisava que estava chegando. Ele foi até a cozinha e começou a preparar o molho. Colocou o peixe para grelhar com azeite e não com óleo, a tempo dela chegar e este não estar pronto, pois, estar quente e mácio era fundamental. Ela chegara. A convidou para entrar ela aceitou, disse para que ela aguarda-se alguns instante, mas, ficasse a vontade. Ele começou a organizar a mesa. Serviu a comida, o vinho e deixou que o tempero da salada fosse posto a gosto.

Ainda estava com um friozinho na barriga para saber o que ela achara mas ao ver o seu sorriso ao provar a comida, tivera a certeza, ela realmente gostara daquilo., daquele sabor. Ele deu um gole de vinho, e sorriu. Ela havia gostado. Não precisava se preocupar com mais nada a não ser desfrutar de uma boa conversa com Vinho e Salmão.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Bom Dia

 * Não tive muito tempo para correções, portanto, me desculpem, mas as coisas andam corridas. Como estou viajando hoje, só conseguirei responder na segunda... Obrigado. Thiago*

Fechou o livro, tirou seus óculos e colocou-os na mesinha ao lado da poltrona. Respirou fundo, levantou-se. Caminhou até o banheiro, lavou os rosto e pensou: “Estou apresentável”, vestia uma camisa social cinza grafite manga longa, a calça do terno que usara o dia todo.

Escovou os dentes, passou um pouco de seu perfume amadeirado, o cabelo estava levemente bagunçado, exatamente como gostava. Pegou a chave do carro, e saiu. Finalmente chegara ao seu destino. Escolhera uma mesa de frente para o palco, pediu uma vodka com citrus, seria bom para começar a noite.

Posicionou-se de lado na cadeira, com o braço direito apoiado na parte superior. Olhou seu relógio, enfim, a música estava para começar. Ele aguardara por esse show, alias como ele definia: “A Capela”,contudo, ele não conseguia ver tanto sentido. Não era assim que era para ser. Ele pegou o telefone mas não discou. Colocou de novo em seu bolso e tomou um gole de sua vodka.

As vezes ter privilégios nos lugares tinha suas vantagens, ele era um dos poucos que podia ser servido hoje. E isso alimentava um pouco o ego. Seu baixo eu. Se distraiu fazendo círculos com o copo, uma ação muito típica dele. Pouco tempo depois o garçom chegou e disse que havia uma senhorita na porta, dizendo que estava ali para encontrá-lo.

A surpresa o pegar desprevenido. Perguntou qual o nome da pessoa e o garçom o disse, ele autorizou a entrada e discretamente um sorriso apareceu. Que noite boa. Ele olhou para o espaço pelo qual ela teria que passar, e ela passou, linda, com um vestido preto colado ao corpo, que chegava até a altura dos joelhos. Não era vulgar, muito menos comportado. Era provocante, politicamente correto, religiosamente devastador de crescenças.

Ele prestou atenção em cada detalhe. Em como a rubi vermelho que ele dera ficava bonito em contraste com o verde dos olhos dela. Seu cabelo caia até a altura do ombro. Ela era perfeita demais para não ludibria-lo.

Sorriu e disse: Não esperava que viesse. Ela o olhou e respondeu: “Temos muita coisa para conversar ainda, porém, nada melhor do que a musica que nos apresentou.
Ele sorriu e estendeu a mão direita par que ela pegasse. Acompanhou-a até a cadeira e sentaram.

O show iria começar e a música deles viria para dar as boas vindas para o novo-velho casal.

A música começou, ele olhou para ela e sorriu, ela retribuiu o sorriso mas não cortou o silêncio. Ele respirou fundo e disse: “Lembra desa música?” Ela o olhou nos olhos “Cada verso”. Ficaram quietos, não havia mais o que dizer. Bandolins soaram deliciosamente pela acústica do bar. Ele não aguentou, puxou-a para ele e a beijo. Bastara de infantilidades e imaturidades. Era hora de crescer, era hora de começar de novo com o velho.

O show acabara, ele levantou-se e estendeu a mão para que ela levantasse , ela aceitou, e o acompanhou, ele perguntou se ela queria ir para seu apartamento, ela aceitou. Conversaram o caminho inteiro e perceberam quanta falta aquilo fazia. Conversaram por horas, decidiram as pendências. Era melhor viver cada coisa de cada vez, não correr, só viver.

Mas nada impediria o beijo de Bom Dia.

domingo, 10 de abril de 2011

Não há como recuperar

Peguei meu celular e apertei snooze. Enfim a noite acabara, melhor assim. Contemplei o teto por alguns instantes, suspirei. Não era como se eu tivesse dormido a noite toda, o que de fato não fiz. Na realidade, também não era como se divertir a noite toda. Eu não dormira. Mas estava aliviado, teria, agora, que o dia finalmente começara,  como me concentrar em outras coisas. Mas Primeiro, faria algo.

O sentimento de insuficiência me bateu. Levantei e fui ao banheiro; escovei meus dentes e após secar o rosto, olhei para o espelho: "Eu estava acabado". Liguei o som, abri o chuveiro, e ao som de Say do John Mayer, deixei a água cair em mim. Eu pensava: "Como poucas palavras proferidas poderiam me afetar tanto?." Desliguei o chuveiro, peguei a boa tolha preta, enrolei em torno da cintura cobrindo apenas o que era estritamente necessário. Caminhei até a cozinha. Olhei para a mesa que não arrumara na noite passada, peguei um copo de café e fui até a janela.

Eram 9 am e a cidade estava agitada. Trabalhar em casa tinha suas vantagens. Mas hoje, especialmente hoje. Não queria essa comodidade.

Respirei fundo; não perdoava-me por não ter dito tudo que queria quando ela disse que iria embora. Eu perdera a oportunidade de dizer o que estava pensando o que tinha por dentro. Eu sabia que não havia como recuperar o tempo perdido ou corrigir os problemas que tivemos. Mas tinha de dizer tudo.

E era tarde. Era tarde demais para desculpas, minhas ou dela. Peguei o telefone e disquei o primeiro número da lista, ela atendeu, com um Olá. Não respondi, só disse o que queria:

“ - Eu não estou te ligando para pedir uma segunda chance. Eu estou te ligando para dizer, para gritar-te cada coisa, cada palavra que eu não disse ontem após suas verdades. Depois de falar eu vou desligar o telefone e não vou mais te ligar. Mas preste atenção em cada palavra que talvez sem sentido saia, pois, eu não tenho um script para seguir.... Eu me importo e gosto de você por tudo que você é, eu quero/sempre quis, ver-te feliz. Sei que não há mais uma situação que nos faça ficar bem de imediato, mas, deixar-te ir ontem sem dizer nada foi errado. Erramos. Ambos. É muito tarde para desculpas. Só quero que saiba que eu e você, superaremos isso. Há básicamente quatro coisas que não podem ser recuperadas:
-A pedra depois de atirada..
-A palavra depois de proferida..
-A ocasião depois de perdida..
-E o tempo depois de passado..
E isso destruiu tudo. E Isso fez com que acabasse. Deve ter sido tão difícil suportar minhas fraquezas e desilusões. Mas não foi fácil também suportar seus erros. Não foi fácil para ninguém. Sigo então, ainda  que , tenha certo carinho, mas hoje acho que é só isso. Te ver chorar ontem me machucou. Porque eu sabia que eu era a razão. E te ver sorrir amanhã me deixará enciumado por não ser a razão. Mas quero que seja feliz.
Encontrará alguém para começar do zero. Começe certo. Você sabe como o fazer. Eu também encontrarei alguém e começarei certo. Me desculpe por qualquer eventualidade. E esta é a pedra que faltava ser atirada, fique tranquila. Ela vai pingar uma ou duas vezes no rio e chegará na outra margem e em pouco tempo será só um arranhão. Seja feliz e adeus.”

Como prometido desliguei o telefone, havia uma dor no meu peito mas aquilo era o fim. E eu haveria de encontrar. Encontrar alguém que fizesse-me sentir tolo, bobo, ou até imaturo. Mas eu estava cansado e é exatamente quando a gente tá cansado que o coração distraí então a sorte vem.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Seguindo em frente

Chegou cansado do trabalho, entrou em seu quarto, colocando sua mochila em um canto qualquer. Tirou o sapato social, enquanto desabotoava sua camisa cinza, puxou-a para cima de forma que saisse de dentro da calça e sentou-se na ponta da cama. Era orgulhoso demais para admirtir a dor que sentia. A cama de casal parecera maior que nunca. Levantou, tirou o cinto, e deixou a calça cair, tirou suas meias quando a calça tocou o chão aproveitando o fato de ter que levantar os pés para sair de cima da roupa.

Caminhou até o armário e o abriu, do lado das suas roupas, as roupas dela, intocavéis, já fazia algum tempo que ela partira, e ele nem se quer teve coragem de mexer nas roupas. Ele balançou a cabeça, negativamente, fechou os olhos mas era tarde a lágrima já havia escorrido. Colocou o polegar e indicador direito no canto dos olhos para enxugá-los e caminhou para sala.

Abriu sua pequena copa, pegou seu velho e bom whisky, colocou duas pedras de gelo, serviu seu copo. Sentou-se em sua poltrona confortável próxima a uma de suas paredes espelhadas. A Lua estava coberta; sinais de chuva a caminho; Lembrou que lendo Clarisse Lispector desobriu que chuva representava mudança, mas não deu bola. Apoiou o copo na mesinha ao lado da poltrona, como tantas vezes fez para que ela sentasse em seu colo. Ele cansara.

Havia de deixar toda a tristeza sair; fechou os olhos e começou a lembrar, o beijo, a festa de casamento, a lua-de-mel, passaram por tudo, ela era tudo que ele poderia desejar. As tardes em um parque qualquer lendo um livro qualquer. O vento que batia no cabelo dela e jogava o perfume em sua face embriagando com o cheiro, o cheiro dela.

Sua respiração acelerou, seu corpo, cada célula, ele podia sentir o sangue passando. Como era difícil querer tanto sentir ela de novo, respirar o perfume dela, o pescoço aveludado. As lágrimas vinha sem parar e ele as deixou cair, ele precisava daquilo, ele necessitava. A chuva começou e ele sabia que era difícil para ele te-lâ perdido. Era pior ainda saber que não havia sido escolha dela, nem dele.

Ele se sentia culpado, culpado por estar viajando, ele sabia que era a trabalho, mas se culpava. Era mulher dele, somente dele. Com aquela dor ele sentiu seu corpo relaxar de uma forma estranha e sua visão escurecer. Dormiu. Durante o sono sua mente voou, foi longe, um sonho tranquilo mas que era com ela.

Ele abriu os olhos, eram cinco e trinta da manhã e o sol lhe batia no rosto, olhou para o lado viu o copo de whisky quase da cor de água por causa do gelo. Respirou fundo e percebeu que estava leve. Deixara toda angústia ir embora. Ele olhou para fora, de casa e percebeu era hora de seguir em frente.

sábado, 26 de março de 2011

A Música do Vizinho

OBS: Para melhor entendimento. Leia os textos: A Tarde Seguinte e Supreenda-me.


“Sentiu-se congelado; exatamente essa era a sensação. Era bom. A sensação da pele fervilhava porém. O novo, a descoberta, o pequeno mistério. Não acreditava, o novo fascinava.
O novo me parecia um velho conhecido, seus caminhos, seus limites. O corpo transboradava-lhe toda raça, toda a necessidade, enfim, toda emoção. Era evidente.
Ela demonstrava ser e conhecer as vontades dele. Ela era experiente. O conhecia, como se ele, se ele fosse simples; decifrável.
Tinham seus limites, seu senso comum, ele descia pelo seu corpo, seus lábios, e abraços, abriam caminho. Ela deixava, ela queria, alguém não poderia fingir tão bem.” Pensou.

Era um filme, ele não conseguia concentrar-se, ele tinha que trabalhar, mas era como se ela, negligentemente, houvesse tomado seus pensamentos.
Ele pensava em tudo. No seu sair do banho enrolada na toalha, no abraço subsequente, o beijo no pescoço. A respiração dele ofegou-se, o peito acelerou, mas ele disfarçara, era bom nisso. Pensar no que vivera fazia-o querer sonhar, mas ele, cuidados, precisava não pensar.

Ele havia ligado para uma estranha, que conhecera falando sobre sagitário, ela oferecera o telefone, ele aceitou. Marcaram de sair na noite seguinte. Um domingo. Não era natural o suficiente? E principalmente vê-la, linda, pura, santa. Por que aquilo era divino. Sair do banho ao som, de algum louco, tocando Sax as 7 da manhã. Aquilo era demais. Ele definiu como: “A manhã seguinte”.

Pacientemente, fechou os olhos, pegou sua lista: “to do” , e anexou, ligar para a tal Sagitariana. Colocou um site qualquer de musica, selecionou Garota de Ipanema, colocou seus fones. Aquilo certamente melhoraria seu rendimento, ainda que possivelmente o deixaria ofegante novamente. Era música do vizinho nos seus ouvidos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Surpreenda-me

Ela balançou os cabelos desfazendo o rabo de cavalo. Seu corpo ainda anestesiado pela sensação que vivera. Ele havia feito seu peito acelerar e a respiração ofegar. Ela ligou o chuveiro e deixou a água bater em suas costas, que ainda arrepiadas começavam a relaxar. Havia sido tenso, intenso e propenso. Propenso ao pecado capital. A Impureza, mais pura, nua e crua que se poderia viver.

E ela viveu. Delirou ao som doce do saxofone que algum vizinho tocava toda manhã. O som sexy que a fazia relembrar cada beijo, cada toque. Desligou o chuveiro, se envolveu na toalha que fazia delicada massagem em seu corpo.
Passou o pente em seus cabelos, e saiu do banho, olhou para a cama e la estava ele. Dormindo. Ele acordou, e com cara de sono deu um sorriso para ela em meio a um Bom Dia.

Ela respondeu e virou para seu armário.Procurava o que vestir. Ele levantou caminhou a envolveu pela cintura, beijou seu pescoço e perguntou o que ela gostaria de comer. Ela fechou os olhos sentindo aquele toque e finalmente respondeu: “Não importa, surpreenda-me”. Ele sorriu e respondeu: “muita fome ou pouca fome?” Ela andou até a penteadeira, não queria falar.

Não importava, ela só queria um suco fresco, ou algo que pudesse dividir com quem a arrepiara só por toca-la.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Prata

Fechei meus olhos. Os pensamentos soltavam da minha cabeça, como se de algum mudo, alguma maneira virariam fatos.

Passei alguns instantes e abri meus olhos, era estranho. Bom, porém estranho. Olhei para janela que permanecera aberta, a lua iluminava meu travesseiro. A contemplei, como se nunca houvesse visto tal beleza. A noite começava a fazer bem; minha cabeça esvaziara, meu peito não estava mais agitado. Ainda que flashs passavam, estava calmo, estava livre.

O senso de liberdade me tomou, queria ver a tal beleza mais próxima. Peguei meu carro, coloquei o velho cd dos The Cranberries, onde Linger ja não tocava perfeitamente. Continuei andando; seguindo para onde o Prata me levava. Como aqueles fios. Andei por aproximadamente vinte minutos e estacionei.

A priori não percebi aonde estava, olhei para os lados e então me dei conta. Estava aonde os tais pensamentos soltos que, anteriormente, estavam na minha cabeça surgiram.
Eu fechei meus olhos, encostei minha cabeça no volante, prestei atenção na musica que dizia coincidentemente: “I'm wasting no more time I'm always gonna tell you what's on my mind”.

Parecia estranho, era incerto, mas o Prata iluminava as casas, os prédios, mas principalmente a mim. Revivo o beijo, liguei o carro. Eu estava em paz.